FAPESP anuncia mais 40 novos projetos aprovados pelo PIPE

24 de novembro de 2016

A FAPESP anunciou a lista de 40 novos projetos selecionados no âmbito do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) e encerra 2016 com um recorde: 174 projetos projetos aprovados no ano e um total de recursos da ordem de R$ 50 milhões para o desenvolvimento de pesquisa voltada para a inovação tecnológica. “Em 2016 foram 0,8 contrato por dia útil; no ano passado atingimos a marca de 3 contratos por semana”, comparou Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP.

Os projetos apresentados por empresas são selecionados em quatro chamadas por ano. O total recorde de projetos aprovados em 2016 incluem os contemplados na terceira e quarta chamadas do PIPE de 2015 – anunciados no primeiro semestre – e as duas primeiras chamadas deste ano. “Esses resultados permitem aferir o impacto do programa no Estado de São Paulo”, sublinha Brito Cruz.

Conduzidos por pesquisadores em micro e pequenas empresas com até 250 empregados, os projetos selecionados envolvem diferentes tecnologias, desde o uso de nanofibras de biocelulose para aplicações em liberação de fármacos até dispositivos híbridos para conformação de tubos metálicos não ferrosos de parede fina tipo T, passando por um método computacional para o desenvolvimento da percepção, da atenção e da ação de atletas.

Entre os 40 projetos aprovados, 17 ainda não tinham empresa constituída na ocasião da apresentação da proposta e têm prazo para fazê-lo até a assinatura do termo de outorga. Outro diferencial do PIPE é que o pesquisador proponente não precisa apresentar nenhum título formal, seja de graduação ou pós-graduação, mas demonstrar conhecimento e competência técnica no tema do projeto.

Algumas empresas já estão instaladas em incubadoras, como a Carbosolo Desenvolvimento Agrícola, que, abrigada no Cietec, pretende produzir fertilizante organomineral nitrogenado a partir de carvão vegetal.

Outras, como a Vetra Pesquisa e Desenvolvimento de Produtos Cerâmicos de Alta Tecnologia, instalada em Ribeirão Preto, já tem patenteada tecnologia de vidros bioativos com propriedades bactericida e cicatrizante para aplicação antiacne.

E, várias delas, já tiveram outros projetos aprovados no PIPE, como a Onkos Diagnósticos Moleculares, que já utilizou tecnologia de microRNA para classificação molecular de nódulos tireoidianos e que agora irá utilizar esse conhecimento na identificação de recidiva em pacientes com câncer de próstata.

Outro exemplo é o da Eleve Pesquisa e Desenvolvimento que, com o apoio do PIPE, busca estabelecer um modelo de pele tridimensional para o desenvolvimento e avaliação de formulações cosméticas antienvelhecimento, dispensando testes em animais.

A Eleve já teve aprovada uma proposta de desenvolvimento e caracterização de medicamentos de base nanotecnológica para tratamento de leishmaniose, em chamada do PIPE de 2015 (leia mais em http://pesquisaparainovacao.fapesp.br/r_15_milhoes_para_financiar_projetos_inovadores/2 ).

A Eleve é uma spinoff da Apis Flora, empresa criada há 34 anos como produtora e envasadora de mel. A evolução da Apis Flora à condição de fabricante de medicamentos à base de mel, própolis e produtos naturais e que, mais recentemente, passou a atuar também em sistema de liberação de fármacos, sempre baseado em produtos naturais, foi historiada por Andresa Berretta, gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P,D&I) aos novos participantes do PIPE como um exemplo de sucesso do programa.

O primeiro PIPE da Apis Flora foi em 2008, para o desenvolvimento e avaliação de biocurativos obtidos a partir de celulose bacteriana e extrato padronizado de própolis (epp-af) utilizado no tratamento de queimaduras e/ou lesões de pele. “O projeto resultou em uma patente, três artigos publicados e na contratação de oito bolsistas”, lembra Berreta. Posteriormente, obteve recursos da FAPESP para o desenvolvimento de um antibiótico de origem natural e para tratamento de candidíase vulvovaginal.

Em 2015, pesquisadores da Apis Flora estiveram entre as empresas que participaram do programa Leaders in Innovation Fellowships (LIF), oferecido pela Royal Academy of Engineering, da Inglaterra, em parceria com a FAPESP no âmbito do Newton Fund – fundo de fomento à pesquisa e inovação em países emergentes do governo do Reino Unido, que capacita empresas para comercializar as tecnologias e inovações.

Hoje a Apis Flora vende seus produtos para clientes em outros 15 países, além da China, entre eles Estados Unidos, Canadá, Japão, Coreia do Sul e Argentina. Em 2015 as exportações responderam por 15% de seu faturamento de R$ 25 milhões. E, no Brasil, a empresa fornece insumos industriais para grandes companhias dos setores farmacêutico, de cosméticos e alimentício, como Johnson & Johnson, Unilever e L’Oréal.

A chamada para o 1º Ciclo de Análise de 2017 do Programa PIPE está aberta e as empresas interessadas poderão apresentar projetos até o dia 30 de janeiro de 2017. Para esclarecer dúvidas sobre a chamada e sobre a elaboração dos projetos, a FAPESP promoverá, em 12 de dezembro de 2016, o Diálogo sobre Apoio à Pesquisa para Inovação na Pequena Empresa, organizado em parceria com o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), a Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei) e o Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo (Simpi).

Para mais informações sobre a chamada de propostas para o 1ºCiclo de Análise de 2017 acesse www.fapesp.br/pipe/chamada-1-2017.

Inscrições para o Diálogo sobre Apoio à Pesquisa para Inovação na Pequena Empresa podem ser feitas em www.fapesp.br/eventos/dialogo12017/inscricao.