Boas Práticas Científicas

Processo 18/086

Pesquisadora denunciada: Jalile Garcia Schivuzzo
Instituição
: Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas

Em 19 de março de 2018, a FAPESP tomou conhecimento de alegação de más condutas científicas (plágio, falsificação e fabricação de dados) que teriam sido praticadas por Jalile Garcia Schiavuzzo, então beneficiária de Bolsa de Doutorado da FAPESP, sob a responsabilidade do Dr. Carlos Amilcar Parada, pesquisador do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas – IB/UNICAMP (Processo 2014/21962-8).

Segundo a alegação, a denunciada teria incluído indevidamente, em Relatório Científico encaminhado à FAPESP em 7 de agosto de 2017, figura elaborada por outra pesquisadora do mesmo grupo de pesquisa como ilustração dos resultados de experimento distinto daquele que a denunciada, no referido relatório, afirma ilustrar. Além disso, a denunciada teria apresentado, no relatório, dados falsificados e fabricados de outros experimentos. Segundo a alegação, o Dr. Parada teria sido, em 2017, alertado por membros do grupo de pesquisa a respeito das más condutas supostamente praticadas pela denunciada.

Em 20 de março de 2018, o Dr. Parada informou à FAPESP que o relatório em questão continha dados incorretos e a denunciada teria ocultado dele esse fato até aquele momento. Solicitada pela FAPESP a se manifestar, a denunciada, em 28 de março de 2018, atribuiu a utilização inadequada da figura em causa no relatório a um erro involuntário e negou que dados falsificados e fabricados de experimentos tivessem sido nele incluídos. Segundo ela, teria tomado conhecimento do erro involuntário em meados de março de 2018, tendo então informado o erro a seu orientador, que teria se disposto a informar a FAPESP sobre o ocorrido.

Em 2 de maio de 2018, a FAPESP notificou a Diretoria do IB/UNICAMP da existência e natureza da alegação de más condutas e solicitou que tomasse as providências previstas na seção 6 do Código de Boas Práticas Científicas da FAPESP. Cópias da notificação foram encaminhadas à denunciada e a seu orientador.

Em 27 de julho de 2018, a Diretoria do IB/UNICAMP encaminhou à FAPESP cópia do parecer de comissão por ela instituída para realizar a investigação formal da alegação de más condutas em questão. O teor do parecer revela que a investigação foi realizada de maneira justa e rigorosa, respeitados os direitos de defesa e presunção de inocência da denunciada.

O parecer conclui que a figura em causa foi incluída no relatório de maneira inadequada, havendo evidências de conduta descuidada por parte da denunciada, mas não havendo elementos sólidos para a caracterização de uma má conduta intencional. Com respeito aos dados que, alegadamente incluídos no relatório, teriam sido falsificados e fabricados, o parecer conclui que procede a afirmação da denunciada de que esses dados realmente não foram incluídos no relatório.

Cópia do parecer da comissão instituída pelo IB/UNICAMP foi enviada, para ciência e eventual manifestação, à denunciada e a seu orientador em 27 de setembro de 2018. Em 5 de novembro de 2018, a denunciada manifestou à FAPESP sua concordância com as conclusões expostas no referido parecer e informou que erros foram corrigidos e ensaios experimentais foram refeitos para que não pairassem dúvidas sobre a fidedignidade dos resultados que seriam expostos em sua tese de doutorado. O orientador não se manifestou.

Após analisar todas as peças do processo, com base nas conclusões da investigação realizada pelo IB/UNICAMP, em 01 de fevereiro de 2022 a FAPESP declarou terem ocorrido erros na utilização de figura no relatório em causa como ilustração de um experimento e não proceder a alegação de falsificação e fabricação de outros experimentos. Declarou não haver evidências de que esses erros configurem má conduta científica intencional. Constatou-se que os erros foram corrigidos e não ocorreram na tese de doutorado da denunciada, defendida e aprovada em 16 de dezembro de 2019, conforme ata de defesa anexada ao Processo 2014/21962-8.

Por outro lado, a FAPESP declarou que os erros cometidos indicam descuido da denunciada tanto no manuseio e tratamento de dados antes da preparação e submissão do relatório como na demora em informar à FAPESP sobre o ocorrido. A FAPESP adverte a denunciada por conduta científica negligente.

Em 15 de fevereiro de 2022, a FAPESP encaminhou à denunciada cópia de sua Declaração Decisória, para ciência e eventual manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias. A denunciada não se manifestou.

Data de publicação no site da FAPESP: 06/10/2022.

[manter na página por 12 meses desde a data da publicação]


Publicado em 06 de outubro de 2022